O que significa o nome de um Exu ou de uma Pombagira?
Quem caminha na Umbanda por algum tempo inevitavelmente faz esta pergunta:
O que significa o nome de um Exu ou de uma Pombagira?
Essa dúvida é natural. Afinal, quando ouvimos nomes como Tranca Ruas, Sete Encruzilhadas, Tatá Caveira, Marabô, Pomba Gira Rainha das Sete Encruzilhadas ou Maria Padilha da Calunga, percebemos que existe uma lógica por trás dessas denominações.
E existe mesmo.
Na Umbanda, os nomes das entidades não são escolhidos ao acaso. Eles revelam campos de atuação, mistérios, forças da natureza e a maneira como aquele Guardião manifesta sua vibração dentro da Lei Maior.
Aprender a interpretar esses nomes amplia nossa compreensão da religião e nos impede de criar interpretações baseadas apenas em lendas ou no imaginário popular.
O nome revela o campo de atuação
Sempre digo aos meus alunos que o nome de uma entidade funciona como uma chave.
Quando compreendemos o significado dos elementos que formam esse nome, começamos a enxergar muito além da incorporação.
Por exemplo:
Exu Montanha
A montanha representa um campo ligado à justiça, à firmeza e ao equilíbrio. Isso já indica a força espiritual onde essa entidade trabalha.
Agora observe outro exemplo:
Exu Sete Montanhas
Neste caso, o número sete amplia sua atuação, indicando que essa força percorre as Sete Vibrações da Umbanda dentro daquele mesmo mistério.
O mesmo acontece com inúmeros outros nomes.
Os verbos também possuem significado
Existe outro detalhe que muita gente não percebe.
Não é apenas o substantivo que importa.
Os verbos também revelam um mistério espiritual.
Veja alguns exemplos:
- Abre Caminho
- Arranca Toco
- Rompe Mato
- Corta Rua
- Quebra Demanda
- Tranca Ruas
Estamos diante de verbos que demonstram a forma como aquela entidade atua energeticamente.
Cada verbo representa uma função específica dentro da Lei e nunca aparece por acaso.
O elemento principal mostra onde aquela força trabalha
Depois do verbo, observamos o elemento principal.
É ele que revela o campo vibratório daquela atuação.
Por exemplo:
Tranca Ruas
Sabemos que sua atuação está ligada ao mistério das ruas.
Mas podemos encontrar nomes como:
- Tranca Ruas das Matas
- Tranca Ruas das Almas
- Tranca Ruas da Calunga
- Tranca Ruas do Cruzeiro
Perceba que continua sendo Tranca Ruas.
O que muda é o campo onde sua força será aplicada.
Por isso, duas entidades podem possuir nomes muito parecidos e exercer funções completamente diferentes.
Não é possível identificar uma entidade apenas pelo Orixá do médium
Esse é outro erro bastante comum.
Muitas pessoas acreditam que basta conhecer o Orixá de cabeça para descobrir qual Exu ou qual Pombagira acompanha o médium.
Na prática, isso não funciona dessa maneira.
O Orixá do médium é apenas uma das informações do seu campo espiritual.
Já os Guardiões trabalham conforme necessidades específicas da missão daquele espírito, dos mistérios divinos e dos campos onde atuarão.
Por isso, a identificação de uma entidade acontece através da manifestação, da confirmação espiritual e do desenvolvimento mediúnico sério.
Nunca por suposição.
Por que estudar a classificação dos nomes?
Quando aprendemos essa linguagem, passamos a compreender muito melhor:
- a atuação dos Exus;
- a atuação das Pombagiras;
- os mistérios presentes nos nomes;
- as forças espirituais relacionadas a cada campo;
- a lógica existente dentro da Umbanda.
Isso fortalece nosso desenvolvimento mediúnico e evita muitos equívocos que acabam sendo repetidos dentro da religião.
Classificação dos nomes dos Exus e Pombagiras
A seguir, apresento a classificação exatamente como ela é utilizada para facilitar a interpretação dos nomes das entidades.
A
- Abre (caminho, rio, mar, mata, tudo…) – Ogum
- Águia Negra – Ogum
- Almas, das – Obaluaê
- Âncoras – Iemanjá, Ogum e Omulu
- Ar, do – Iansã
- Aranha – Iansã
- Arranca (toco, tudo, rua, mar, almas) – Ogum
- Arrebenta – Ogum
B
- Bará – Oxalá
- Brasa – Xangô e Ogum
- Buraco, do – Omulu
C
- Cachoeira, da – Oxum
- Cabaça – Nanã
- Cabeça – Oxalá
- Cadeado – Ogum e Xangô
- Caldeira – Xangô
- Calunga – Obaluaê
- Caminho, do – Ogum
- Campa – Omulu
- Campina – Iansã
- Capa (preta, das almas, encruzilhada…) – Oxalá, Logunan
- Capela – Logunan
- Carranca – Ogum e Oxalá
- Casco – Ogum
- Catacumba – Omulu
- Caveira – Omulu
- Cemitério – Obaluaê
- Chave – Oxalá
- Chicote – Iansã
- Chifre – Iansã
- Cipó – Oxóssi
- Cobra – Oxóssi
- Corisco – Iansã
- Coroa – Oxalá
- Corrente – Ogum e Oxum
- Corta (fogo, vento, rua) – Ogum
- Cova – Omulu
- Cravo (preto, vermelho…) – Oxóssi
- Cruz – Obaluaê
- Cruzeiro – Obaluaê
- Curador – Obaluaê
E
- Encruzilhada – Oxalá, Ogum e Obaluaê
- Escudo – Ogum
- Espada – Ogum
- Estrada – Ogum
- Estrela – Oxalá
F
- Faísca – Iansã
- Fagulha – Egunitá, Iansã, Xangô
- Fechadura – Nanã
- Ferro, do – Ogum
- Ferrolho – Ogum e Oxum
- Ferrabrás – Xangô
- Ferradura – Ogum
- Figueira – Oxóssi
- Fogueira – Egunitá
- Fogo – Xangô
- Folha – Oxóssi
G
- Galhada – Oxóssi
- Ganga – Oxalá
- Garra – Oxóssi
- Gargalhada – Oxumaré
- Gato (preto, Omulu) – Oxóssi
- Gira (mundo, fogo, tudo…) – Logunan, Iansã
- Gruta – Oxum
- Guiné – Oxóssi
H
- Hora Grande – Oxalá e Logunan
L
- Labareda – Egunitá
- Laço – Logunan
- Lama – Nanã
- Lança – Ogum
- Lonan – Ogum
- Lucifer – Oxalá
- Lodo – Nanã
M
- Maioral – Oxalá
- Mangueira – Oxóssi e Iansã
- Marabô – Oxóssi
- Matas – Oxóssi
- Meia-Noite – Omulu
- Montanha – Xangô
- Morcego – Omulu
- Morte – Omulu
- Mulambo – Omulu
- Mar – Iemanjá
O
- Ondas – Iemanjá, Iansã, Oxumaré
- Ouro – Oxum
P
- Pantanal – Oxóssi
- Pantera Negra – Oxóssi
- Pedra (preta, do fogo…) – Oxum
- Pemba – Oxalá
- Pena Preta – Oxóssi e Omulu
- Pimenta – Oxóssi e Omulu
- Pinga Fogo – Iemanjá e Xangô
- Pirata – Iemanjá
- Pó, do – Omulu
- Poeira – Omulu e Iansã
- Porta – Obaluaê
- Porteira – Obaluaê
- Prego – Ogum
- Punhais – Iansã e Ogum
Q
- Quebra (Galho, tudo, porta…) – Ogum
- Quedas – Oxum
R
- Raios – Iansã
- Raiz – Oxóssi e Obá
- Rei – Oxalá
- Relâmpagos – Iansã e Xangô
- Rompe (rua, matas, almas, ferro…) – Ogum
- Ruas – Ogum
S
- Serra Negra – Logunan, Xangô
- Sombras – Oxalá
T
- Tatá – Obaluaê
- Tatá Caveira – Omulu e Obaluaê
- Terra (preta, vermelha, seca…) – Omulu e Obá
- Tira Gira, Teima, Toco – Iemanjá
- Toco (preto) – Oxóssi
- Tranca (ruas, cruzes, matas, gira, tudo, cruzeiro…) – Ogum
- Treme Terra – Obá e Omulu
- Trinca (Ferro) – Omulu
- Tronco – Oxóssi
- Trovão – Xangô
- Tumba – Omulu
V
- Veludo – Oxum
- Vento – Iansã
- Ventania – Iansã
- Vira (mundo, tudo, vento, folha, mata, mar) – Logunan
Z
- Zé Pelintra – é um mestre do catimbó que se manifesta na Umbanda na força de Logunan, Oxalá e Ogum. Ainda assim há Zé Pelintra das matas, da cachoeira, do mar e etc.
Perguntas frequentes
Todo Exu com o mesmo nome é a mesma entidade?
Não. Existem inúmeras entidades que utilizam um mesmo nome simbólico. O que diferencia cada uma delas é sua individualidade espiritual e o campo específico em que atua.
O nome revela toda a atuação da entidade?
Nem sempre. Em muitos casos, a entidade revela apenas parte do seu nome ou utiliza uma nomenclatura mais conhecida durante o trabalho mediúnico.
Posso descobrir meu Exu apenas analisando o nome?
Não. A identificação de uma entidade acontece dentro do desenvolvimento mediúnico e da confirmação espiritual, jamais por dedução.
Essa classificação também ajuda a compreender as Pombagiras?
Sim. Os mesmos princípios de interpretação podem ser utilizados para compreender muitos nomes de Pombagiras, sempre respeitando seus próprios mistérios e campos de atuação.
Conclusão
A Umbanda fala através dos seus símbolos.
Os nomes dos Exus e das Pombagiras guardam ensinamentos profundos que vão muito além daquilo que normalmente enxergamos em uma gira.
Quanto mais estudamos esses mistérios, mais percebemos que a religião possui uma organização espiritual rica, coerente e profundamente ligada às forças divinas que sustentam a criação.
Conhecer essa classificação não serve para rotular entidades, mas para ampliar nossa compreensão sobre a forma como elas trabalham, orientam e executam a Lei.
Se você deseja estudar Umbanda com profundidade, compreender os mistérios dos Exus, das Pombagiras, dos Orixás e desenvolver uma visão verdadeiramente fundamentada da religião, venha estudar comigo na minha plataforma EAD. Será uma alegria caminhar ao seu lado nessa jornada de conhecimento e evolução espiritual.
Axé, Pai Daniel.